sábado, 15 de junho de 2019

"Meu caminho pelo mundo eu mesma traço"?*

Telefone Celular, Smartphone, 3D, Manipulação, Tela


Eis mais uma inquietação...

Seria essa a ideia das “reações” propostas pela professora Bonilla? Cá estou eu, novamente, reagindo a essas provocações, depois de um tempo de dormência...


Ciberespaço, Cyber, Tecnologia, Internet, Digital
Ciberespaço. Territorialização. Des-re-territorializar... Qual é, finalmente, o conceito de território, em pleno 2019? Muitos, meu caro... Muitos... André Lemos já provocava isso, em 2006, em uma leitura incômoda e inquietante, que surpreende por sua atemporalidade. A partir das leituras envolvendo redes e mobilidade, voltei-me ao meu celular e comecei a questionar como e se eu estou reterritorializando, de quais redes faço parte...

Meu celular me controla! (minha mente alertou, no meio da leitura...)

Esse é o fato! Doloroso, mas real! Ele me guia, não eu a ele. Mas por quê? Acaso consigo eu instalar um simples aplicativo, para uso básico, sem fornecer permissão de acesso à minha localização, câmera, microfone e lista de contatos? Não! Pergunto-me: “mas que uso será necessário da minha câmera?” Para mim, nenhum; para “eles”, todos! Eles sabem onde estive, do que gosto, registram por onde passei e, com isso, projetam por onde passarei. Sabem antes de mim sobre as minhas intenções de reterritorialização. Sendo assim, quem é o responsável pela construção dos meus territórios, físicos, sociais e culturais?

Nesse momento, pauso e respiro... Everything is under control (insira aqui um desejo absurdo de que isso fosse verdade...)

Navegação, Gps, Localização, Google, Mapas, Mapa
Ok, respiração sob controle, lembro-me dos projetos de mapeamento de estabelecimentos, já presentes em vários lugares do mundo e em franca expansão no Brasil. Sob uma proposta interessante, de maior comodidade na localização de pontos turísticos, oferta de produtos e serviços, a novidade atrai elogios, arranca comemorações e cai no gosto dos turistas e desbravadores (não tão desbravadores assim). A partir de um clique no celular, um mundo de possibilidades se abre pra mim; uma rede interconectada, que me traz recomendações de restaurantes baseadas em meus gostos culinários e... Mas, espera, eu não informei meus gostos culinários ainda! Quem são vocês, gênios maravilhosos, que me brindam com tanta facilidade e me presenteiam com novos territórios instantaneamente, poupando-me do trabalho de fazer, eu mesma, esse “desenho”.

Ah, lembrei... São eles, os algoritmos...
Olá, tudo bem? Havia esquecido de vocês... Como pude? (insira aqui o emoticom com a mão na cara...)

Respiro, novamente, e lembro de um exemplo que, para mim, sintetiza perfeitamente a problemática da atuação em rede e a mobilidade: o aplicativo Waze. Sim, ele!! Para quem não conhece, uma breve descrição, aqui.
O Waze pode ser descrito como um aplicativo de mobilidade, que tem a proposta do funcionamento colaborativo, seja a partir do traçado das melhores rotas ou através do oferecimento de caronas. Motoristas de todo o Brasil desenham rotas, diariamente, e estas são atualizadas em tempo real. Quem é adepto ao aplicativo, pode ter uma nova rota traçada para cada dia da semana, basta que surja uma opção julgada mais rápida e barata pela rede de motoristas e, voi là, ela aparece na sua tela e pode desviá-lo da originalmente traçada.

Pensando no Waze, surgiu uma inquietação: sim, eu comemoro a cada vez em que a corrida do Uber dá mais barato, pelo fato de estarmos usando o Waze e não o aplicativo padrão; mas essa é uma rede que, apesar de trazer benefícios diários para muitos, alimenta altos lucros monetários apenas para um (já viram os produtos que a Waze oferece?).

Santa mãezinha, eu nunca encerrei um texto com tantas dúvidas, como agora... (insira aqui uma perfeita caricatura desesperada...)

*Título faz um trocadilho com a letra Aquele Abraço, de Gilberto Gil.

Um comentário:

  1. Preocupante né? E ai fica a pergunta: quantos de nós, cidadãos, temos consciência desses processos? Muito poucos, claro. Mas aí vem outra pergunta: adianta termos consciência, se não conseguimos nos proteger disso, desviar desses controles? A resposta mais simples é, como não podemos dizer não, a saída então é relaxar e aproveitar... mas aí estamos corroborando as práticas do mercado! Como escapar dessa lógica? em construção...

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